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Férias na casa do Vovô, o começo de uma tradição.

Eu não gosto de Brasília. Acho interessante a arquitetura, acho o céu lindo, mas acho sem graça, sem charme e sem quase nada que faça eu querer voltar. Quase porque ali fica a minha família e para encontrar com eles, é claro, voltei à cidade muitas e muitas vezes, mesmo que secretamente eu preferisse que eles morassem em Curitiba ou, quem sabe, Trancoso. Mas eis que neste Julho, mês de férias, recebi do meu pai um convite para levar os pimpolhos para visitá-lo. Meu pai tem uma chácara, já em Goiás mas pertinho de Brasília, e a idéia de uma casa com gramado, piscina e dois avós saudosos para me ajudar a entreter os filhotes me pareceu bem interessante. Encarei pela primeira vez uma viagem de avião sozinha com minhas duas crias e fui gratamente surpreendida por um excelente comportamento, incluindo um segurando a mão do outro enquanto eu fazia o processo raio X e sonecas durante quase todo o vôo, mesmo quando a Dona Gol me colocou na última fileira, aquela que o banco não deita e que quando o banco da frente deita, a mesinha encosta na sua barriga. (Nota mental para nunca mais esquecer de marcar o assento pela internet). Mas mesmo que a viagem tivesse sido muito mais estressante teria valido à pena.

Comer jabuticaba direto do pé, plantar e regar verduras na horta, colher flores do cerrado, brincar na areia, fazer bichinhos de fruta e palito, andar de carrinho de mão, se apaixonar pela centopéia de barro do jardim, assar salsichão na fogueira cantando música de São João foram alguns dos pontos altos da viagem. Sem falar na família reunida, enchendo de carinhos, beijos e presentes. Também teve tarde na casa da Bisa, com direito a banho que inunda banheiro, baú cheio de chocolates e apostar corrida no longo corredor. Teve lanche na casa da Tivó, com direito ao melhor pão de queijo caseiro que já comi e a presença ilustre dos três pequenos cachorros: Ozzy, Pitty e Zizi, sendo Zizi uma filhote que ainda mama na mãe, para a surpresa da minha mais velha, que descobriu que os cães também têm pai e mãe!

Mas para os que não têm a sorte de ter a minha família, Brasília também ofereceu alguns bons programas para crianças. O Jardim Botânico agradou, mesmo com a manutenção meio capenga e a falta de pessoal que fez com que o trenzinho estivesse parado. O tempo passou voando no parquinho (nada demais, mas parquinho é sempre parquinho), no orquidário, na biblioteca com livros infantis  e nas pontes do bonito laguinho.

No Jardim Zoológico eu não fui, mas as crianças adoraram ver os animais, com menção honrosa para o enorme hipopótamo e seus filhotes (na verdade as pacas que ficam em volta) e para as lixeiras e orelhões em formas de bichos. Vovô e vovó emprestada advertem, as grades são grandes o suficiente para as crianças passarem (vejam na foto), o que faz com que o passeio seja um pouco estressante e as fotos um tanto quanto escassas.

E por fim, o Centro Cultural Banco do Brasil, um espaço bem interessante às margens do Paranoá, com cinema, teatro, salas de exposições e dois restaurantes (um quilo e um bistrôzinho da livraria). Almoçamos no segundo, numa mesa mais perto do jardim, que dá para deixar as crianças brincando enquanto os adultos comem (ou tomam um café) tranquilos. O parquinho futurista também fez sucesso, assim como a peça para bebês (recomendada de 0 a 3 anos) que fez certos olhinhos brilharem e manteve até um cansado menino de um ano bem acordado.

Gostou?, perguntei. Adorei!, respondeu.

Eu também. Adorei tudo. Tanto que, quem diria, 25 anos depois de me mudar de lá, saí de Brasília querendo voltar logo.

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Para os pequenos viajantes

Viajar com crianças não é fácil. Mas também não precisa ser impossível. Acho que o primeiro passo para uma experiência agradável para todos é respeitar os pequenos como companheiros de aventuras e procurar atracões que os agradem, estimulem e façam com que gostem de cada viagem como você. Afinal, se eles têm que apreciar uma obra de arte num museu, se precisam se comportar enquanto você desbrava uma lojinha, nada mais justo que você tenha que passar umas horinhas dando tchauzinho para os pinguins ou brincando na piscina de bolas.

Aqui ficam algumas dicas para entreter os pequenos em algumas cidades da Europa.

Amsterdam:

Kinderkookkafe: um café inteiramente dedicado às crianças, onde elas mesmas terminam de preparar os pratos (podem abrir a massa da pizza e colocar os recheios ou decorar cupcakes, por exemplo). Não se engane, não é programa de adulto com coisas para distrair as crianças. As mesas são baixas, os brinquedos ficam espalhados pelo chão e a música é infantil. Na verdade, o clima é de casa caótica de pais de uns 5 filhos. Ou seja, as crianças realmente ficam à vontade. Fica numa entrada lateral (e mais distante do centro) do gostoso Vondelpark, um outro excelente destino para os pequenos, com muito espaço para eles correrem e brincarem.

Preparar uma pizza...

...é fácil...

...no Kinderkookkafe.

Tun Fun: Se a chuva em Amsterdam pode frustrar até os mais grandinhos, imagina os pequenos. Mas este parque subterrâneo pode salvar o dia. Com áreas dedicadas a crianças de 1 a 12 anos, a diversão é garantida em escorregas, piscinas de bolas, pistas de boliche e divertidos carrinhos que se parecem aos que, na minha época, chamávamos de carrinhos de roliman.

No Tun Fun...

...a chuva não estraga a brincadeira.

Nemo: Eu adoro o slogan desse museu – proibido não tocar. Um museu de ciências dedicado às crianças, que estimula a interação, dentro de um impressionante edifício, inspirado em um navio de carga. Perto do Natal, Papai Noel costuma aterrizar no terraço.

Lisboa

Oceanário: programão com P maiúsculo para crianças que curtem bichinhos. O aquário principal é hipnotizante e a área dos pinguins uma gracinha. Aos sábados de manhã, acontecem concertos para bebês de até 3 anos. Fica na moderna região conhecida como Expo, que além do Oceanário, tem o Pavilhão do Conhecimento, um museu de ciências que costuma agradar os pequenos um pouco maiores. Em dias de sol, toda a Expo pode fazer a festa das crianças, com muito espaço para correr e fontes divertidas.

Zoo de Lisboa – O zoo de Lisboa ainda não é tão legal quanto ele quer ser, mas é muito melhor do que muito zoológico por aí. Entre as atrações, a preferida é o show dos golfinhos. Entre as curiosidades, um cemitário de cães e outros animais de estimação.

– Praias – Se o seu filho gosta de mar e areia e estivermos no verão, os arredores de Lisboa oferecem algumas ótimas possibilidades. As mais próximas são as chamadas Praias da Linha, que você pode chegar no Comboio (trem) que liga Lisboa a Cascais. Muitos lisboetas torcem o nariz para estas praias, mas pelo menos um passeio pelo Paredão (como eles chamam o calçadão que começa em Estoril) vale a pena. De carro, você pode chegar a praias mais bonitas e interessantes. Para as crianças, não consigo pensar numa mais divertida do que Tróia. É preciso pegar uma balsa para chegar lá e, no caminho, muitas vezes, somos presenteados pela companhia dos golfinhos. Já deu até para ver o sorriso no rosto do seu filho, né?

Madrid

Retiro: O parque mais famoso da cidade é um destes passeios que agrada greguinhos e troianinhos. No El Estanque, é possível alugar um barco a remo para dar uma volta. Em todo o parque você vai encontrar parquinhos tradicionais (balanço, escorrega…), sem falar nos teatrinhos de marionete, nos patinhos e cisnes que povoam os muitos laguinhos do parque, no romântico Palácio de Cristal. Prefira os fins de semana, quando as crianças locais não perdem a oportunidade de ir brincar ao ar livre.

Baby Deli: “Bom para os seus filhos, bom para o mundo”. É assim que se vende essa delicatessen no coração de Salamanca, o bairro mais chique da cidade. E esta é a proposta: produtos ecologicamente corretos estão a venda, desde brinquedinhos de madeira a fraldas biodegradáveis e alimentos orgânicos. Alguns detalhes, como os carrinhos de compras do tamanho certo para as crianças, dão mais charme para o lugar.  Os adultos podem tomar um gostoso café, acompanhado de bolinhos deliciosos, enquanto as crianças brincam. Um pequeno terraço tem uma oca indígena. O espaço também oferece cursos e outras atividades para crianças. Detalhe: Carolina Herrera é uma das proprietárias.

Faunia – Lá vamos nós ver bichinhos de novo. Fazer o que? As crianças adoram! E este parque temático de animais oferece muitas oportunidades de integração. Não espere ver leões, elefantes ou girafas. Aqui seus filhos vão dar comida para as cabras na fazendinha, ver araras voando livres e macaquinhos pulando de galho em galho em meio a uma tempestade, numa floresta tropical, tirar foto beijando uma simpática foca, ver um pintinho saindo do ovo ou um bebê canguru colocando o rostinho para fora da bolsa da mamãe. Ah, para fãs do Rei Leão, aqui a criançada vai poder conhecer pessoalmente uma suricata (o Timão, companheiro inseparável do Pumba).

Dizer olá para o canguru...

...alimentar a cabra...

... e ver de perto a bicharada no Faunia.

Paris:

Le Jardim d’Acclimatation – Não faltam lindos parques em Paris para as crianças correrem e brincarem ou para um delicioso piquenique depois de umas comprinhas numa boulangerie. Mas este, em especial, dentro do Bois de Bologne, oferece muito mais que área verde e espaço: brinquedos, animais de verdade, trenzinho, shows de rua… não faltam opções para distrair a pequenada. Tudo mantendo o charme de 1860, quando foi construído.

Um passeio de canoa indígena.

Disney World Paris: Dispensa comentários, né? Essa filial do parque infantil mais famoso do mundo fica a menos de 1 hora de transporte público do centro de Paris e garante o sorriso no rosto da garotada pelo resto da viagem.

Essas são apenas algumas sugestões. Com um pouco de pesquisa, dá para descolar muitos lugares divertidos para nossos filhotes aproveitarem as férias e se transformarem em agradáveis companheiros de viagem. Se você parar para pensar, crianças são fáceis de agradar. Um sorvete, um novo brinquedo, um espaço para eles gastarem as energias podem mudar o humor dos pequenos e o clima de toda uma viagem.

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