E as croquetas do Javier Bardem não são essa Coca-Cola toda.

Eu adoro o Javier Bardem. A Espanha adora o Javier Bardem. Holywood adora o Javier Bardem. Não é à toa que desde que havia ouvido falar do La Bardemcilla, restaurante da família do ator (que faz ótimos filmes quando resolve ficar feio e filmes melhores ainda quando decide estar lindo de morrer), as minhas expectativas estavam altas. Finalmente, essa semana, consegui ir conhecer.

É um barzinho com tapas tradicionais: croquetes (que se dizem os melhores do mundo), huevos rotos, pinchos, tortilla. Bom, os croquetes não eram mais que normais, a tortilla sem graça e o bacalhau do pincho que eu pedi estava terrivelmente salgado. A decoração, com fotos da família penduradas na parede, tenta ser charmosa, mas não me convenceu. O clima informal é até gostosinho, mas o ambiente estava claro demais para ser aconchegante.

O esquema de reservas é em turnos. Você escolhe entre 21h ou 23h30, mas numa quinta-feira à noite não foi difícil conseguir uma mesa às 22h, o que me fez acreditar que eu não fui a única decepcionada com as croquetas do ator. Não que o Javi vá ficar chateado com isso, mas euzinha não tenho a menor intenção de voltar.

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“El arbol de los deseos” e “Mise en bouteille au Château”

Em dezembro de 2007, passei meu primeiro Natal em Madrid. Foi um Natal delicioso, com a visita da família repilique completa e muitos programas gostosos, numa cidade que sabe viver as festas, com muita iluminação, presépios e eventos lindos, que terminam com o desfile dos Reis Magos, no Dia de Reis.

Pois em 2007, o meu evento favorito foi o Arbol de los deseos, ou a Árvores dos Desejos. Ficava no Parque do Retiro. Você chegava e era recebido por ajudantes de Papai Noel montados em caracóis gigantes, super bem produzidos. Aí recebia um balão de gás hélio, onde escrevia um desejo. Então era acompanhado por duendes divertidos para o centro da árvore, onde soltava o seu balão. Os balões coloridos, cheios de desejos, ficaram presos por uma rede até o Dia de Reis, quando foram soltos e subiram para o céu, para mais perto de Deus, levando um monte de esperança de crianças e adultos que aproveitavam a mágica do Natal para acreditar que, assim, eles teriam mais chances de serem realizados.

O meu desejo nasceu 8 meses depois, perfeita e cheia de saúde. E olha que quando escrevi o meu pedido, eu não tinha nem idéia de que a Antônia já crescia aqui dentro.

Não passou muito tempo, quando descobri que estava grávida outra vez. E fazendo as contas, descobri que meu filhote, o Bernardo (hoje com 45 dias), tinha sido Mise en bouteille au Château, ou engarrafado no Château, como os melhores vinhos, numa viagem que fiz até a região de Bordeaux, já contada aqui.

E foi assim que essas voltas que eu ando dando pelo mundo me deram as melhores histórias que eu poderia contar neste blog.

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Para os pequenos viajantes

Viajar com crianças não é fácil. Mas também não precisa ser impossível. Acho que o primeiro passo para uma experiência agradável para todos é respeitar os pequenos como companheiros de aventuras e procurar atracões que os agradem, estimulem e façam com que gostem de cada viagem como você. Afinal, se eles têm que apreciar uma obra de arte num museu, se precisam se comportar enquanto você desbrava uma lojinha, nada mais justo que você tenha que passar umas horinhas dando tchauzinho para os pinguins ou brincando na piscina de bolas.

Aqui ficam algumas dicas para entreter os pequenos em algumas cidades da Europa.

Amsterdam:

Kinderkookkafe: um café inteiramente dedicado às crianças, onde elas mesmas terminam de preparar os pratos (podem abrir a massa da pizza e colocar os recheios ou decorar cupcakes, por exemplo). Não se engane, não é programa de adulto com coisas para distrair as crianças. As mesas são baixas, os brinquedos ficam espalhados pelo chão e a música é infantil. Na verdade, o clima é de casa caótica de pais de uns 5 filhos. Ou seja, as crianças realmente ficam à vontade. Fica numa entrada lateral (e mais distante do centro) do gostoso Vondelpark, um outro excelente destino para os pequenos, com muito espaço para eles correrem e brincarem.

Preparar uma pizza...

...é fácil...

...no Kinderkookkafe.

Tun Fun: Se a chuva em Amsterdam pode frustrar até os mais grandinhos, imagina os pequenos. Mas este parque subterrâneo pode salvar o dia. Com áreas dedicadas a crianças de 1 a 12 anos, a diversão é garantida em escorregas, piscinas de bolas, pistas de boliche e divertidos carrinhos que se parecem aos que, na minha época, chamávamos de carrinhos de roliman.

No Tun Fun...

...a chuva não estraga a brincadeira.

Nemo: Eu adoro o slogan desse museu – proibido não tocar. Um museu de ciências dedicado às crianças, que estimula a interação, dentro de um impressionante edifício, inspirado em um navio de carga. Perto do Natal, Papai Noel costuma aterrizar no terraço.

Lisboa

Oceanário: programão com P maiúsculo para crianças que curtem bichinhos. O aquário principal é hipnotizante e a área dos pinguins uma gracinha. Aos sábados de manhã, acontecem concertos para bebês de até 3 anos. Fica na moderna região conhecida como Expo, que além do Oceanário, tem o Pavilhão do Conhecimento, um museu de ciências que costuma agradar os pequenos um pouco maiores. Em dias de sol, toda a Expo pode fazer a festa das crianças, com muito espaço para correr e fontes divertidas.

Zoo de Lisboa – O zoo de Lisboa ainda não é tão legal quanto ele quer ser, mas é muito melhor do que muito zoológico por aí. Entre as atrações, a preferida é o show dos golfinhos. Entre as curiosidades, um cemitário de cães e outros animais de estimação.

– Praias – Se o seu filho gosta de mar e areia e estivermos no verão, os arredores de Lisboa oferecem algumas ótimas possibilidades. As mais próximas são as chamadas Praias da Linha, que você pode chegar no Comboio (trem) que liga Lisboa a Cascais. Muitos lisboetas torcem o nariz para estas praias, mas pelo menos um passeio pelo Paredão (como eles chamam o calçadão que começa em Estoril) vale a pena. De carro, você pode chegar a praias mais bonitas e interessantes. Para as crianças, não consigo pensar numa mais divertida do que Tróia. É preciso pegar uma balsa para chegar lá e, no caminho, muitas vezes, somos presenteados pela companhia dos golfinhos. Já deu até para ver o sorriso no rosto do seu filho, né?

Madrid

Retiro: O parque mais famoso da cidade é um destes passeios que agrada greguinhos e troianinhos. No El Estanque, é possível alugar um barco a remo para dar uma volta. Em todo o parque você vai encontrar parquinhos tradicionais (balanço, escorrega…), sem falar nos teatrinhos de marionete, nos patinhos e cisnes que povoam os muitos laguinhos do parque, no romântico Palácio de Cristal. Prefira os fins de semana, quando as crianças locais não perdem a oportunidade de ir brincar ao ar livre.

Baby Deli: “Bom para os seus filhos, bom para o mundo”. É assim que se vende essa delicatessen no coração de Salamanca, o bairro mais chique da cidade. E esta é a proposta: produtos ecologicamente corretos estão a venda, desde brinquedinhos de madeira a fraldas biodegradáveis e alimentos orgânicos. Alguns detalhes, como os carrinhos de compras do tamanho certo para as crianças, dão mais charme para o lugar.  Os adultos podem tomar um gostoso café, acompanhado de bolinhos deliciosos, enquanto as crianças brincam. Um pequeno terraço tem uma oca indígena. O espaço também oferece cursos e outras atividades para crianças. Detalhe: Carolina Herrera é uma das proprietárias.

Faunia – Lá vamos nós ver bichinhos de novo. Fazer o que? As crianças adoram! E este parque temático de animais oferece muitas oportunidades de integração. Não espere ver leões, elefantes ou girafas. Aqui seus filhos vão dar comida para as cabras na fazendinha, ver araras voando livres e macaquinhos pulando de galho em galho em meio a uma tempestade, numa floresta tropical, tirar foto beijando uma simpática foca, ver um pintinho saindo do ovo ou um bebê canguru colocando o rostinho para fora da bolsa da mamãe. Ah, para fãs do Rei Leão, aqui a criançada vai poder conhecer pessoalmente uma suricata (o Timão, companheiro inseparável do Pumba).

Dizer olá para o canguru...

...alimentar a cabra...

... e ver de perto a bicharada no Faunia.

Paris:

Le Jardim d’Acclimatation – Não faltam lindos parques em Paris para as crianças correrem e brincarem ou para um delicioso piquenique depois de umas comprinhas numa boulangerie. Mas este, em especial, dentro do Bois de Bologne, oferece muito mais que área verde e espaço: brinquedos, animais de verdade, trenzinho, shows de rua… não faltam opções para distrair a pequenada. Tudo mantendo o charme de 1860, quando foi construído.

Um passeio de canoa indígena.

Disney World Paris: Dispensa comentários, né? Essa filial do parque infantil mais famoso do mundo fica a menos de 1 hora de transporte público do centro de Paris e garante o sorriso no rosto da garotada pelo resto da viagem.

Essas são apenas algumas sugestões. Com um pouco de pesquisa, dá para descolar muitos lugares divertidos para nossos filhotes aproveitarem as férias e se transformarem em agradáveis companheiros de viagem. Se você parar para pensar, crianças são fáceis de agradar. Um sorvete, um novo brinquedo, um espaço para eles gastarem as energias podem mudar o humor dos pequenos e o clima de toda uma viagem.

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Amsterdam para meninas.

Prostitutas se oferecendo em vitrines, drogas sendo vendidas em cafés e hordas de turistas que chegam à cidade atraídos por estas duas coisas. À primeira vista, Amsterdam pode não parecer o destino ideal para mulheres. Mas saindo do lugar comum e se embrenhando um pouco mais pelos lindos canais, é possível descobrir uma cidade com muito de tudo que a gente mais gosta.

Os canais...

...e as suas pontes.

Entre casas e pontes refletidas nos canais,  atracões com um forte apelo feminino.

Para começar os museus. São mais de 50 na cidade. O maior e mais importante, o Rijksmuseum, está em obras de restauração. Ainda assim, é possível ver uma mostra da sua enorme coleção numa exposição chamada ‘The Masterpieces’. Entre alguns dos mais importantes quadros de Rembrandt, você vai encontrar uma linda coleção de Casas de Bonecas. No século XVII, toda senhora rica que fosse mesmo rica mandava construir uma, normalmente à imagem e semelhança da sua própria residência. Longe de ser uma brincadeira, estas casinhas eram um caro e ostensivo hobby e chegavam a custar o mesmo que uma casa de verdade. É divertido prestar atenção nos detalhes, nas cortinas, nas porcelanas e imaginar a vida destas nobres senhoras do passado.

No Keizersgracht, ou Canal dos Cavalheiros, fica um museu dedicado a um dos maiores fetiches de qualquer dama: as bolsas. O Tassenmuseum – ou Museum of Bags and Purses – oferece uma coleção com bolsas feitas desde o século XVI (eu juro que queria uma das mais antigas para mim, feita de couro de cabra, com 18 compartimentos e flores decorativas) até bolsas clássicas Channel e Louis Vitton, passando por formatos inusitados, como  a divertida carteira que imita uma revista dobrada. Até Fevereiro de 2010, está em cartaz a exposição ‘Made in Britain’, com alguns importantes exemplares de design inglês (Vivianne Westwood, por exemplo). De Março a Agosto, será a vez da exposição ‘Leather Loves Crystal’, mostrando o uso dos famosos cristais Swarovski. Não deixe de fazer uma pausa no café, lindamente decorado e com vista para o pátio interior. Sinceramente, não consigo pensar num museu mais mulherzinha.

Detalhe da fachada do Tassenmuseum.

E o detalhe das bolsas.

Dá para acreditar que esta é do séc. XVI?

Mas nem só de acessórios de moda e hobbies extravagantes vive o lado feminino de Amsterdam.  Na Casa de Anne Frank, você poderá conhecer a história desta menina judia que viveu ali escondida por mais de dois anos durante a Segunda Guerra Mundial. O seu drama ficou famoso no mundo inteiro depois que o seu pai publicou o diário que ela escreveu no esconderijo: o famoso Diário de Anne Frank. Infelizmente, Anne morreu no campo de concentração, dias antes deste ser libertado. Uma história triste de uma menina que não teve a oportunidade de chegar a ser mulher e uma visita que ensina e emociona pessoas de qualquer sexo.

Em pleno centro da cidade, outra visita imperdível é o tranquilo conjunto de casas chamado Begijnhof, residências de mulheres (Beguines) que dedicavam suas vidas à religião, principalmente ao cuidado de doentes, mas que não chegavam a ser freiras. Elas faziam voto de castidade e deviam obediência ao pároco local, mas não faziam voto de pobreza nem de clausura, e podiam deixar a irmandade no momento em que quisessem, caso decidissem, por exemplo, se casar. Até hoje as casas são residências de mulheres solteiras. “A maior parte dos bens da Igreja Católica Romana foram confiscados quando Amsterdam se tornou protestante. Mas as Beguines foram deixadas em paz”, conta uma placa informativa. E em paz por aqui se continua. Basta entrar no Begijnhof para ter o prazer de senti-la.

Os prédios, ao redor do pátio.

E a minha obesessão com as janelas da cidade.

Lojinhas, lojinhas e mais lojinhas.

Mas como nem só de museus e história vive uma viagem “mulherzinha”, Amsterdam oferece excelentes possibilidades de compras. Esqueça os shopping centers. Aqui o barato é andar pelas ruas, admirando vitrines e a linda arquitetura da cidade. Na Kalverstraat e na Leidsestraat, você vai encontrar as lojas mais conhecidas, mas o mais gostoso é descobrir as lojas de design, os brechós e as mais variadas lojas especializadas nas ruazinhas mais afastadas do centro.

É o caso das Nine Little Streets. Como o nome diz, são nove pequenas ruas de nomes complicados que cruzam os três principais canais, com lojinhas para os mais variados bolsos e gostos, além de cafés, delicatessens e restaurantes deliciosos. Um lugar para passar o dia e estourar o limite do cartão de crédito.

Uma das Nine Little Streets decorada para o Natal

Mas com um pouco mais de tempo, há muito mais para descobrir: Haarlemmerstraat, Utrechtsestraat,  Staalstraat, Leliegracht e com certeza muitas outras que não lembro o nome ou não tive a oportunidade de conhecer.

Vitrine colorida de uma lojinha no Jordaan.

Todo bom bate-perna tem boas pausas.  Em se tratando do sexo feminino, de preferência, doces pausas.

No De Bakkerswinkel (Warmoesstraat 69), uma padaria num ambiente que mistura casa da vovó com cozinha industrial, recomendo tudo o que já provei do cardápio, em especial o bolo de cenoura e os scones com geléia de limão. Outra opção é o pequeno Gartine (Taksteeg 7), com seu candelabro, sua porcelana chinesa e suas atitudes ecologicamente corretas, como usar apenas ovos das 58 galinhas adotadas no projeto Adopt a Chicken, em que você recebe os ovos das galinhas em troca de financiar uma vida feliz para as bichinhas, com direito a passear à vontade pelo galinheiro e comer apenas comida orgânica, livre de agrotóxicos. Na Puccini (Staalstraat 21 e Singel 184), nem tente resistir aos chocolates em lindas formas e sabores para comer com os olhos, o nariz e a boca.

O charmoso interior do Gartine.

Uni-duni-tê para escolher entre as tentações do Puccini

Safadeza com estilo.

Se a diabinha que vai no seu ombro estiver interessada em um pouco de sexo, drogas e rock’n’roll, a Nana Sex Shop (Warmoesstraat 62, esquina com a Oude Brugsteeg) tem brinquedinhos eróticos de design que parecem ter sido fabricados pela Apple. Para conhecer um Cofffee Shop, se quiser mais de tranquilidade, procure o La Tertulia (Prinsengracht 312), pequeno e aconchegante, administrado por duas senhoras: mãe e filha. Se preferir agito, sugiro o badalado De Dampring (Handboogstraat 29), que foi locação do filme com o maior número de galãs por metro quadrado de película de Hollywood: o Ocean’s Twelve. A fama faz com que fique cheio, mas só de imaginar Matt Damon, Brad Pitt e George Clooney ali, a progesterona de qualquer mulherzinha já começa a ferver.

Last, but not least.

–       Como perder tempo em fila não é coisa de mocinha descolada, saiba que vale a pena comprar ingressos pela internet para as visitas mais concorridas, como a Casa de Anne Frank, o Rijskmuseum e o Van Gogh Museum.

–       Em Amsterdam, São Pedro quase nunca colabora. Esteja preparada com uma bonita capa de chuva e galochas descoladas.

–       Se souber andar de bicicleta, adote o meio de transporte. Você chega muito mais rápido em qualquer lugar, descobre mais da cidade e se locomove como uma verdadeira local. Uma das locadoras mais famosas é a Mac Bike.

Bicicletas na ponte.

E para terminar: simpática e feminina decoração de um Houseboat (ou casa-barco).

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Japão – Capítulo 4 – Onde ficar

Quando estava indo para o Japão, um amigo me sugeriu que me hospedasse em Ryokans. E eu tive a feliz idéia de seguir o seu conselho. A hospedagem acabou sendo uma das partes mais gostosas e interessantes da viagem, onde pude conhecer mais de perto pessoas especiais e costumes interessantes.

Mas o que são Ryokans? São hotéis tradicionais japoneses. Os sapatos que ficam alinhados na porta, os chãos de tatame, as yukatas (robes tradicionais, mais leves que os quimonos), o chá na mesinha baixa, os futons fofinhos apoiados diretamente no chão, os banhos quentes, muitas vezes com lindas vistas… Num Ryokan todo o seu imaginário sobre os costumes do país estão lá e me parece um desperdício atravessar o mundo para conhecer o Japão e ficar hospedado num hotel que poderia estar em qualquer outro lugar do mundo.

Existem Ryokans de  luxo e super exclusivos e Ryokans com preço, jeito e clima de albergue. Enfim, budget e exigência não são desculpas para perder a oportunidade.

O site www.japaneseguesthouses.com pode te ajudar a escolher um Ryokan e os guias do Japão costumam indicar alguns em várias faixas de preço. Eu fiz todas as reservas diretamente, algumas vezes por e-mail e outras por fax.

Estes foram os Ryokans que fizeram parte da minha viagem:

Em Tóquio:

Ryokan Shigetsu, no bairro de Asakusa. Tudo neste Ryokan foi perfeito. O preço é super justo. A localização é excelente, ao lado da Nakamise Dori, a feirinha mais legal da cidade. Reservei um quarto com banheiro e sem chuveiro, que não fez a menor falta. O banho tradicional comum é pequeno, mas super limpo, além de ser uma experiência deliciosa. Primeiro você senta num banquinho e toma o banho propriamente dito com um chuveirinho baixo e uma espécie de baldinho. Depois, mergulha numa banheira quentinha, com vista para a Pagoda do templo de Asakusa. Perfeito para relaxar depois de um dia de turismo intenso. Dica: se enxague bem, pois é muita falta de educação entrar na banheira com restos de sabão.

Annex Katsutaro Ryokan, no bairro menos turístico de Taito-Ku. Este hotel foi o ponto final da nossa viagem, na volta para Tóquio. O preço é ótimo e o hotel super direitinho, embora falte um pouco de charme. O mais legal de ficar aqui foi justamente o que poderia ser o seu ponto fraco: a localização. Conheci um bairro mais normal da cidade, que não iria nunca não fosse por estar hospedada ali. Mas as conexões de transporte são ótimas.

Em Takayama:

– Nagase Ryokan: Sem sombra de dúvidas, o melhor Ryokan em que me hospedei. E também o mais caro. Demoramos a encontrar a entrada porque não havia nenhuma placa que não fosse em japonês. Só tive certeza de que era ali porque conferi o número de telefone, os únicos caracteres que podia compreender. O quarto era lindo e super espaçoso. E o jantar degustação, que comi vestida com a minha Yukata, depois de um banho tradicional com vista para um lindo jardim japonês, servido no quarto pela senhora mais simpática que já conheci, foi um dos melhores da minha vida.

Em Kyoto:

Rakucho Ryokan: Em Kyoto ficam os melhores e mais caros Ryokans. Infelizmente, não pude me hospedar em nenhum deles. Optei por um albergue/ryokan, sem banheiro nem chuveiro no quarto. O banho comum não era dos tradicionais, embora tivesse uma pequena banheirinha para banhos de imersão. O quarto era confortável. Nem sempre havia gente na recepção, mas as dicas que nos deram foram valiosas.  Fica um pouco longe do centro, mas é bem conectado de ônibus, o transporte público oficial da cidade e fácil de usar (vale a pena comprar um passe para o número de dias que for ficar).

Em Mont Koya:

Henjoso-In: Em Mont Koya, você não fica hospedado em Ryokans, mas em templos. A estrutura é a mesma , com a diferença de que é você mesmo quem coloca o seu futom no chão na hora de dormir (mas eles explicam direitinho como fazer). Os banhos e banheiros são compartilhados (o banho é bonito e com vista). A estadia no templo inclui café da manhã e jantar vegetarianos e a oportunidade de participar do ritual espiritual, que começa às 6 da manhã. Vale a pena acordar cedo.  Reservei por fax, através do centro turístico (http://www.shukubo.jp/eng/).

Em Hakone:

Fuji Hakone Guesthouse: Este é mais um Ryokan estilo albergue. Hakone é um destino de Hot Springs (águas sulfurosas) muito procurado pelos turistas japoneses, por isso uma hospedagem mais ‘tchan’ pode sair bem cara. Esse foi com certeza o piorzinho de todos em que fiquei hospedada, com a vantagem de oferecer a sua própria piscinazinha de águas quentinhas (e fedidas por conta do ácido sulfúrico) exterior. Você reserva uma hora e tem a piscininha só para você. A experiência foi divertida.

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Saudades da Borapirá

Um pedido de ajuda ao guru e autor do livro 100 Praias que Valem a Viagem, Riq Freire, me levou até Tatuamunha. Eu queria uma semana pé na areia e consegui muito mais do que isso. Consegui descobrir um destes lugares que se eu pudesse voltava todo ano. Na mesma época. Com as mesmas pessoas. Para fazer as mesmas coisas.

Tatuamunha é uma pequena vila, perto da mais famosa Praia do Toque, em Alagoas, mas não muito longe da fronteira com Pernambuco. Ali ficam duas pousadas: a Beijupirá, pousadinha de charme que não aceita crianças e que faz sucesso entre casais em lua de mel; e a Borapirá, dos mesmos donos, que  foi criada a pedidos destes casais em lua de mel que um dia procriam e constroem família, mas continuam merecendo um lugar ao sol e uma boa caipirinha de caju.

Sol se pondo entre os coqueiros.

O sol se pondo entre os coqueiros,...

A lua cheia

...a lua cheia...

... e o sol nascendo.

... e o sol nascendo.

A idéia inicial era irmos eu, meu marido e minha filha, mas se juntaram a nós mais dois casais, com dois filhos cada. Chegamos numa segunda-feira e a pousada, a praia e a atenção carinhosa do Dido, do Rodrigo e do Antônio eram só para gente.  Faço questão de chamá-los pelo nome porque era assim que nos chamavam desde quando chegamos.

“Bom dia, Aline. A Antônia vai querer frutas?” e apareciam na mesa do café da manhã o prato de frutas variadas,  a tapioca quentinha, o pão de queijo, as panquequinhas e as surpresas feitas a cada dia. As crianças tinham pratos especiais, com aquelas fotos de cachorro em grande angular. Minha filha ria para o cãozinho divertido enquanto comia melancia e eu pedia para trazerem mais um pedaço de bolo de maracujá. Não é assim que deveriam começar todos os dias?

O simpático (e espaçoso) chalé.

O simpático (e espaçoso) chalé.

Dali, íamos para a praia. Antes de mais nada deixa eu explicar que são duas praias. A praia da maré baixa, com água transparente pelo tornozelo, por onde até uma criança de um ano pode andar (ou engatinhar) por quilômetros sem a menor preocupação e onde adultos podem ficam sentados suspirando para os coqueiros que se enfileiram na praia. E a praia da maré alta, de água escura por causa das algas, que roçam na sua perna quando você vai mergulhar.

A maré baixinha.

A maré baixinha.

Caminhando pelo mar.

As crianças caminham pelo mar...

...e pela areia.

...que tem horas que é quase só areia.

A água rasinha, mesmo longe da areia.

A água rasinha, mesmo longe da praia.

Eu já disse que a água fica rasinha?

Eu já disse que a água fica rasinha, rasinha?

Devo confessar que a praia da maré alta me empurrava para a piscina, onde eu pedia uma caipirinha e uma porção de pataniscas de bacalhau crocantes ou macaxeira frita.

As bóias (nossas e da pousada) na piscina.

As bóias (nossas e da pousada) na piscina.

Era aí que aparecia um bezerrinho ou cabritinho pastando para alegria das crianças. Tinha também um pônei em que elas podiam andar e uma arara que se achegava sem cerimônia e curtia com a gente o solzinho da tarde. Com disposição para andar um pouquinho, dava para ir até o centro de preservação do peixe-boi para vê-los se alimentarem daquela mesma alga que escurece a água do mar quando a maré sobe.

O passeio de pônei.

O passeio de pônei.

A visita ao peixe-boi.

A visita ao peixe-boi.

Tudo isso dá um soninho...

Tudo isso dá um soninho...

A atenção aos pequenos não pára por aí: a Borapirá tem um cantinho com brinquedos, incluindo velocípedes que fizeram muito sucesso, e um cardápio infantil preparado com muito carinho, que junto com a fome que a praia dá, fez até criança que é chata para comer devorar o prato.

A comida dos adultos também não fica para trás: desde combinações mais ousadas como camarão com roquefort e arroz de goiaba e bacon (um pouco enjoativo para o meu gosto pessoal, mas ainda assim saboroso), até pratos caseiros como sopinhas e bife acebolado com arroz e feijão, comemos muito bem todos os dias. Achamos um pouco caro, é verdade, para os padrões nordeste. Mas é de se esperar já que perto da pousada não existe nenhuma opção. Mas quer saber? Depois de voltar para a civilização e pagar a mesma coisa por uma comidinha bem mais ou menos, sem o visual ou o atendimento da Borapirá, achei o preço mais do que justo.

Mas e se bater o cansaço da boa vida da pousada e quiser variar? Fácil. O Rodrigo consegue o carro do pai para você alugar (nós fomos até a Barraca do Tibiro, comer deliciosos lagostins na manteiga, mas outras opções não faltam), o Antônio manda vir umas bicicletas ou qualquer um deles chama uma jangada para te levar para as piscinas naturais mais distantes.

A barraca do Tibiro...

A barraca do Tibiro...

...em outra praia, não muito longe da pousada (aqui já com a maré cheia).

...em outra praia, não muito longe da pousada (aqui já com a maré cheia).

Ou então, você deita na rede e pede mais uma, que a vontade de fazer qualquer coisa passa.

Mas nem tudo foram flores na Borapirá. Demorou uns 3 dias até que a água quente funcionasse bem e para todos. No meio de tantos coqueiros, ficamos dois dias sem água de côco e… Bom, foi isso. A verdade é que os proprietários compraram a pousada e ainda estão investindo para melhorar cada detalhe. Mas estão num ótimo caminho. A pousada já é charmosa e aconchegante, perfeita para famílias que sentem arrepios ao pensar em resorts cheios de turistas. As cadeiras de alimentação infantil já foram encomendadas e está sendo construído um cantinho maior para os pequenos, onde ficará um monitor para distraí-los e dar uma folguinha para os pais.

Quem sabe ano que vem eu não volto e conto outra vez como andam as coisas por lá?

Obs.: O transfer de todos os 3 casais foi feito pela empresa Costa Azul. Todos deram certo, menos o nosso da volta. Nossa sorte foi que tínhamos tempo, mas ainda assim, só pegamos o vôo para casa porque os proprietários (um português e uma brasileira muito simpáticos) mandaram chamar o Ricardo, que em 15 minutos estava lá para nos levar. Recomendo entrar em contato com ele para transfers ou passeios. É uma pena que, pelo menos por enquanto, ele só possa oferecer um carro.

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Próxima parada: Brasil para matar as saudades.

Depois de amanhã estou indo para o Brasil. Começo por Brasília, minha terra natal, continuo pelo Rio de Janeiro, minha terra do coração, e termino na Praia de Tatuamunha (Alagoas), uma semaninha com o pé na areia, sem calçar nem Havaianas.

Tô contando os minutos.

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