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Cosas que voy a hechar de menos

O nascer do sol da janela da nossa casa. Todos os parques, mas em especial o Parque do Retiro, no Outono. O Outono. O espaço para carrinho de bebê nos ônibus. Aliás, poder andar de ônibus. A Plaza de la Paja. Os parquinhos infantis para todo lado.  A primeira cerveja numa terraza quando chega o verão. O cortado. A ensaladilla rusa. O pincho de solomillo com cebola confitada. As tapas em geral. Comer bem em praticamente qualquer lugar. O Le Pain Quotidien, o Lateral, o Sudestada. O Vips depois das 16h. O homem aranha gordo da Plaza Mayor. Passear por Salamanca com invejinha das mulheres magras e bem vestidas. Tomar um café no Baby Deli enquanto a filha brinca. As roupas românticas da Nice Day Nice Things,  a roupas lindamente confortáveis da Hakei, os preços da H&M e os pijamas da Oysho. As expressões “fenomenal” e “que suerte” ditas pelas professoras da escola da minha filha. Escutar “que ojazos” de todos que reparam nos olhos dos meus filhos. Sonhar em ficar milionária de verdade com os prêmios impensáveis do  Euromilhões. As lojas da Fuencarral. As lojas da Fuencarral em rebajas. Estar ao lado de Paris e Londres, mesmo sem coragem para ir a nenhum desses lugares com dois bebês. Estar a três horas de trem de Barcelona. Estar pertinho dos amigos de Lisboa. O chocolate quente espesso e aveludado. As visitas. Levar as visitas para tomar o chocolate quente com churros da Chocolateria San Ginés. Levar as visitas ao Mercado de San Miguel. Levar as visitas para ver Guernica no Reina Sofia e ter vontade de comprar um monte de besteira na lojinha depois. Tudo o que ainda faltava para conhecer da cidade. O Faunia.  A qualidade dos queijos, da mostarda e dos chocolates no supermercado. Acordar de madrugada e estar nevando. Os chafarizes. Os portões enormes, os edifícios elegantes e as estátuas em cima deles. O Hormigueiro. Fama, a Bailar. Minha filha dizendo “gracias”, “que no” e “que pasa?”. Meu marido dizendo “joder”.  Viver na cidade que me deu os meus dois filhos. Viver esta vida mais simples.

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E as croquetas do Javier Bardem não são essa Coca-Cola toda.

Eu adoro o Javier Bardem. A Espanha adora o Javier Bardem. Holywood adora o Javier Bardem. Não é à toa que desde que havia ouvido falar do La Bardemcilla, restaurante da família do ator (que faz ótimos filmes quando resolve ficar feio e filmes melhores ainda quando decide estar lindo de morrer), as minhas expectativas estavam altas. Finalmente, essa semana, consegui ir conhecer.

É um barzinho com tapas tradicionais: croquetes (que se dizem os melhores do mundo), huevos rotos, pinchos, tortilla. Bom, os croquetes não eram mais que normais, a tortilla sem graça e o bacalhau do pincho que eu pedi estava terrivelmente salgado. A decoração, com fotos da família penduradas na parede, tenta ser charmosa, mas não me convenceu. O clima informal é até gostosinho, mas o ambiente estava claro demais para ser aconchegante.

O esquema de reservas é em turnos. Você escolhe entre 21h ou 23h30, mas numa quinta-feira à noite não foi difícil conseguir uma mesa às 22h, o que me fez acreditar que eu não fui a única decepcionada com as croquetas do ator. Não que o Javi vá ficar chateado com isso, mas euzinha não tenho a menor intenção de voltar.

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Para os pequenos viajantes

Viajar com crianças não é fácil. Mas também não precisa ser impossível. Acho que o primeiro passo para uma experiência agradável para todos é respeitar os pequenos como companheiros de aventuras e procurar atracões que os agradem, estimulem e façam com que gostem de cada viagem como você. Afinal, se eles têm que apreciar uma obra de arte num museu, se precisam se comportar enquanto você desbrava uma lojinha, nada mais justo que você tenha que passar umas horinhas dando tchauzinho para os pinguins ou brincando na piscina de bolas.

Aqui ficam algumas dicas para entreter os pequenos em algumas cidades da Europa.

Amsterdam:

Kinderkookkafe: um café inteiramente dedicado às crianças, onde elas mesmas terminam de preparar os pratos (podem abrir a massa da pizza e colocar os recheios ou decorar cupcakes, por exemplo). Não se engane, não é programa de adulto com coisas para distrair as crianças. As mesas são baixas, os brinquedos ficam espalhados pelo chão e a música é infantil. Na verdade, o clima é de casa caótica de pais de uns 5 filhos. Ou seja, as crianças realmente ficam à vontade. Fica numa entrada lateral (e mais distante do centro) do gostoso Vondelpark, um outro excelente destino para os pequenos, com muito espaço para eles correrem e brincarem.

Preparar uma pizza...

...é fácil...

...no Kinderkookkafe.

Tun Fun: Se a chuva em Amsterdam pode frustrar até os mais grandinhos, imagina os pequenos. Mas este parque subterrâneo pode salvar o dia. Com áreas dedicadas a crianças de 1 a 12 anos, a diversão é garantida em escorregas, piscinas de bolas, pistas de boliche e divertidos carrinhos que se parecem aos que, na minha época, chamávamos de carrinhos de roliman.

No Tun Fun...

...a chuva não estraga a brincadeira.

Nemo: Eu adoro o slogan desse museu – proibido não tocar. Um museu de ciências dedicado às crianças, que estimula a interação, dentro de um impressionante edifício, inspirado em um navio de carga. Perto do Natal, Papai Noel costuma aterrizar no terraço.

Lisboa

Oceanário: programão com P maiúsculo para crianças que curtem bichinhos. O aquário principal é hipnotizante e a área dos pinguins uma gracinha. Aos sábados de manhã, acontecem concertos para bebês de até 3 anos. Fica na moderna região conhecida como Expo, que além do Oceanário, tem o Pavilhão do Conhecimento, um museu de ciências que costuma agradar os pequenos um pouco maiores. Em dias de sol, toda a Expo pode fazer a festa das crianças, com muito espaço para correr e fontes divertidas.

Zoo de Lisboa – O zoo de Lisboa ainda não é tão legal quanto ele quer ser, mas é muito melhor do que muito zoológico por aí. Entre as atrações, a preferida é o show dos golfinhos. Entre as curiosidades, um cemitário de cães e outros animais de estimação.

– Praias – Se o seu filho gosta de mar e areia e estivermos no verão, os arredores de Lisboa oferecem algumas ótimas possibilidades. As mais próximas são as chamadas Praias da Linha, que você pode chegar no Comboio (trem) que liga Lisboa a Cascais. Muitos lisboetas torcem o nariz para estas praias, mas pelo menos um passeio pelo Paredão (como eles chamam o calçadão que começa em Estoril) vale a pena. De carro, você pode chegar a praias mais bonitas e interessantes. Para as crianças, não consigo pensar numa mais divertida do que Tróia. É preciso pegar uma balsa para chegar lá e, no caminho, muitas vezes, somos presenteados pela companhia dos golfinhos. Já deu até para ver o sorriso no rosto do seu filho, né?

Madrid

Retiro: O parque mais famoso da cidade é um destes passeios que agrada greguinhos e troianinhos. No El Estanque, é possível alugar um barco a remo para dar uma volta. Em todo o parque você vai encontrar parquinhos tradicionais (balanço, escorrega…), sem falar nos teatrinhos de marionete, nos patinhos e cisnes que povoam os muitos laguinhos do parque, no romântico Palácio de Cristal. Prefira os fins de semana, quando as crianças locais não perdem a oportunidade de ir brincar ao ar livre.

Baby Deli: “Bom para os seus filhos, bom para o mundo”. É assim que se vende essa delicatessen no coração de Salamanca, o bairro mais chique da cidade. E esta é a proposta: produtos ecologicamente corretos estão a venda, desde brinquedinhos de madeira a fraldas biodegradáveis e alimentos orgânicos. Alguns detalhes, como os carrinhos de compras do tamanho certo para as crianças, dão mais charme para o lugar.  Os adultos podem tomar um gostoso café, acompanhado de bolinhos deliciosos, enquanto as crianças brincam. Um pequeno terraço tem uma oca indígena. O espaço também oferece cursos e outras atividades para crianças. Detalhe: Carolina Herrera é uma das proprietárias.

Faunia – Lá vamos nós ver bichinhos de novo. Fazer o que? As crianças adoram! E este parque temático de animais oferece muitas oportunidades de integração. Não espere ver leões, elefantes ou girafas. Aqui seus filhos vão dar comida para as cabras na fazendinha, ver araras voando livres e macaquinhos pulando de galho em galho em meio a uma tempestade, numa floresta tropical, tirar foto beijando uma simpática foca, ver um pintinho saindo do ovo ou um bebê canguru colocando o rostinho para fora da bolsa da mamãe. Ah, para fãs do Rei Leão, aqui a criançada vai poder conhecer pessoalmente uma suricata (o Timão, companheiro inseparável do Pumba).

Dizer olá para o canguru...

...alimentar a cabra...

... e ver de perto a bicharada no Faunia.

Paris:

Le Jardim d’Acclimatation – Não faltam lindos parques em Paris para as crianças correrem e brincarem ou para um delicioso piquenique depois de umas comprinhas numa boulangerie. Mas este, em especial, dentro do Bois de Bologne, oferece muito mais que área verde e espaço: brinquedos, animais de verdade, trenzinho, shows de rua… não faltam opções para distrair a pequenada. Tudo mantendo o charme de 1860, quando foi construído.

Um passeio de canoa indígena.

Disney World Paris: Dispensa comentários, né? Essa filial do parque infantil mais famoso do mundo fica a menos de 1 hora de transporte público do centro de Paris e garante o sorriso no rosto da garotada pelo resto da viagem.

Essas são apenas algumas sugestões. Com um pouco de pesquisa, dá para descolar muitos lugares divertidos para nossos filhotes aproveitarem as férias e se transformarem em agradáveis companheiros de viagem. Se você parar para pensar, crianças são fáceis de agradar. Um sorvete, um novo brinquedo, um espaço para eles gastarem as energias podem mudar o humor dos pequenos e o clima de toda uma viagem.

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Por que eu levo todo mundo que vem me visitar ao Lateral?

– O cardápio do Lateral tem pinchos, raciones e saladas com ingredientes bem espanhóis e muito bem preparados. O pincho de solomillo com cebola confitada daqui é, na minha opinião, o melhor de Madrid.

– O preço é super justo.

– A cozinha não fecha entre o almoço e o jantar, uma raridade por estas bandas.

– Tem sempre uma novidade gostosa. Ontem por exemplo eu experimentei um pincho de atum defumado com marmelada de tomate de outro mundo.

– As sobremesas são uma delícia. Sempre fico na dúvida entre a torta de limão, a torta de chocolate e o crepe de doce de leite.

São 5 as filiais do Lateral em Madrid. Uma amiga que vive de dieta e ama a salada de cogolos com salmão defumado de lá diz que o melhor Lateral é o primeiro, perto do Santiago Bernabeu. Eu nunca fui neste porque eles não têm mesinhas do lado de fora (onde se pode comer sem fumar o cigarro dos outros). Eu também não conheço o da Arturo Sória, mais afastado do centro.

Para mim, a melhor cozinha e o melhor ambiente são da filial da Fuencarral (a melhor rua de compras de Madrid, que acaba de ganhar uma parte só de pedestres).

O Lateral da Velázquez tem uma frequência mais mauricinha (pija, como se diz por aqui) e a da Plaza Sant’Anna, bom, é na Plaza Sant’Anna, uma das praças mais animadas da cidade.

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Programinha nota 10

Se você é brasileiro e mora em Madrid ou se você quer fazer um programinha de um brasileiro que mora em Madrid, fica aqui a dica.

Cineminha no Renoir Princesa (onde você pode ver os filmes em versão original, já que a maioria dos cinemas passa versões dubladas em espanhol), seguido de pão de queijo, bolinho de charque, picanha fatiada, mandioca frita, caipirinha e brigadeiro, cajuzinho, beijinho e cocada para terminar. Tudo no terraço no Brasileirinho, logo ali ao lado.

As mesinhas ficam numa pracinha deliciosa, principalmente num final de tarde comecinho de noite como o dessa sexta-feira, com uma lua quase cheia entre dois dos principais edifícios da Plaza de Espanha.

Você vai ficar de tão bom humor que também vai ficar falando tudinho assim, no diminutivo.

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PhotoEspaña 2009

Começou dia 3/6 a edição 2009 do PhotoEspaña. Com o tema Cotidiano, são mais de 70 exposições de fotografia espalhadas por galerias, museus e centros culturais de Madrid, Cuenca e Lisboa.

Eu acabo de voltar da exposição do fotógrafo alemão Gerhard Richter entitulada Fotografias Pintadas, no Edifício da Telefônica, na Gran Via. Como o próprio nome diz, as obras misturam fotografia e pintura. A grande maioria são fotos em pequeno formato, de viagem ou cotidiano. O resultado é interessante, mas não tirou o meu fôlego.

O Festival termina 26/7. Vale a pena conferir.

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Como ter um coração saudável na terra do jamón

Jamón. Croquetas  de jamón. Huevos rotos com jamón. Tortillas. Patatas bravas. Não é fácil controlar o colesterol numa terra onde a perna de porco defumada, os ovos e as frituras em geral estão entre os pratos mais comuns. Mas como com saúde não se brinca, eu tive que descobrir algumas exceções que costumam fazer parte do cardápio nos restaurantes padrão daqui.

1. Parrillada de verduras: uma entrada de legumes grelhados. Normalmente abobrinha, beringela, pimentão, cebola e, dependendo da estação – e do restaurante – aspargos verdes, alcachofras…

2. Ensalada de tomate e bonito: é uma salada simples, de tomate e atum, temperada com azeite, mas costuma ser bem gostosa. Parece brincadeira, mas eles adoram colocar alguma coisa que você não pode comer em praticamente todas as saladas. Pode ser queijo de cabra, bacon ou… jamón!

3. Gazpacho: essa tradicional sopa leve e fria de pepino bate ponto em praticamente todo restaurante no verão. Uma ótima opção para todos aqueles que, diferente de mim, não tenham total e completa aversão ao pepino.

That’s about it!

E para não viver só de abobrinha, atum e pepino (eca!), recomendo aos meus companheiros de colesterol alto que tentem encontrar restaurantes vegetarianos.

Seguindo a indicação do Guia da Wallpaper de Madrid, descobri por estes dias o Sopa. É um restaurante pequenininho, com uma mercearia de produtos naturais e uma oferta diária de sopas, saladas e doces bem gostosos. Tudo atrás de uma lojinha de acessórios, que também vende bicicletas dobráveis (?!).

Fica há 15 minutos a pé da minha casa, perto do Parque de Berlim, zona residencial de Madrid. Mas confesso que se fosse um turista esperando um lugar de design nível “wallpaper” que valesse a pena o desvio total da minha rota de turismo, ficaria decepcionada.

Outro vegetariano que merece a visita, numa das praças mais gostosas de Madrid, a Plaza de La Paja, é o Viva La Vida. Eu já adorava este buffet a quilo antes de descobrir que meu colesterol estava bombando mais que as festas de Ibiza no verão. A maior parte dos pratos, entretanto, apesar de não ter carne, não é necessariamente saudável.  Mas evitando os bolinhos, falafels e outras frituras dá para fazer uma gostosa refeição.

Alguém aí quer um alface? Aliás, o correto é um alface ou uma alface?

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