Category Archives: França

Ondres e Biarritz – à la plage.

Ondres é uma cidadezinha de praia, com um centrinho pra lá de básico e ruas cheias de casa de veraneio, uma das quais foi transformada no gostoso Bed&Breakfast onde ficamos. Mas dele eu vou falar mais tarde.

Primeiro, vamos falar da praia. Uma praia da costa de Aquitaine, com uma enorme faixa de areia, mas onde só se pode mergulhar na pequena área delimitada pelos salva-vidas, a postos, caso haja qualquer problema.

Praia de Ondres

Praia de Ondres

Cartaz anuncia uma tourada.

Cartaz anuncia uma tourada.

Na chegada, quiosques vendem bebidas, baldinhos de plástico e comidinhas, como crepe e cachorro quente. Mais escondidinho fica o delicioso restaurante de peixes La Plancha. Mas dele eu vou falar mais tarde.

Antes eu vou falar de Biarritz, a 20 minutinhos de carro de Ondres. Um cidade cheia de charme, um charme meio nostálgico, de uma senhora que sabe que seu auge já passou, mas que consegue manter a sua beleza e seu glamour, ainda que querendo que aquele tempo não tivesse terminado.

Cafés tipicamente franceses espalham suas mesinhas pelas calçadas, pastelarias oferecem lindos macarrons e lojinhas vendem as tradicionais roupas de cama, mesa e banho com listras coloridas, típicas da região.

A Grand Plage, a mais famosa praia da cidade, tem o cassino, o tradicionalíssimo Hotel du Palais e o farol. Na hora em que fomos, a maré tinha acabado de baixar, deixando piscininhas rasinhas por onde minha filha engatinhava se divertindo com as mãos afundando na areia molhada.

A Grand Plage

A Grand Plage

Ruazinhas de Biarritz

Ruazinhas de Biarritz

Seguindo caminhando pela Orla vem o Port Vieux com seus  restaurantes e a Roche de la Vierge, uma bonita pedra de onde uma estátua da Virgem Maria recebe os pescadores que voltam do mar.

Pertinho de Ondres também fica Bayonne, capital do pais basco francês, e St. Jean de Luz, cidadezinha pesqueira com águas mais calmas que a da vizinha Biarritz. Mas as duas, assim como outros tesouros escondidos da região de Aquitaine, ficaram para próxima viagem. Sim, eu fui embora com a certeza de que volto por estas bandas.

Onde ficamos:

Jean Bernard estava procurando uma casa para transformar em um B&B em Avignon quando um amigo perguntou porque ele não aproveitava a casa que o seu pai havia deixado de herança, do outro lado da França, em Ondres. Ele decidiu seguir o conselho, comprou as partes dos irmãos e abriu o La Chataigneraie.

Nosso Bed&Breakfast

Nosso Bed&Breakfast

A casa e a piscina.

A casa e a piscina.

A eficiência de Jean Bernard (que me enviou pelo correio o vestidinho e o ursinho da minha filha que havíamos esquecido na casa) e a simpatia do Maurice (que não fala nada de inglês, mas está sempre sorrindo e ajundando) são a alma deste B&B.

Na verdade, de todos os B&Bs onde eu já me hospedei, este foi o único que me deu aquela sensação de estar hospedada na casa de alguém, o que eu acredito, seja a idéia inicial dos Bed & Breakfasts. Talvez por cruzar várias vezes com o Maurice passando os lençóis na sala, talvez pelo jantar preparado numa das noites pelos dois e uma simpática família norueguesa que também estava hospedada por lá, talvez pelos quartos não terem chave.

Só sei que gostei. Gostei da piscina, do café da manhã servido no jardim, dos quartos simples e confortáveis. Gostei de me sentir convidada, mesmo pagando €76 por noite para ficar ali.

Onde comemos:

Juro que quando um dos garçons do La Plancha deixou com uma certa má vontade eu sentar numa das mesas do salão interior mesmo sem ter reservas eu não esperava que iria comer tão bem. De entrada, pedimos o melhor mexilhão que já comi na minha vida. Um mexilhão menor do que o que estou acostumada, temperado com muito alho frito. Já voltei de viagem há um mês e garanto que não tenha um dia que eu não pense no mexilhão quando tenho fome.

De prato principal uma merluza fresquíssima muito bem temperada com alho e a pimenta de Espellete, uma saborosa pimenta típica do país basco.  A batata assada que acompanha é daquele normal, feita em papel laminado, mas de normal não tem nada. Derrete na boca, com o salgadinho da manteiga.

Um jantar simples, despretencioso e inesquecível. Supreendente o suficiente para eu recomendar que se algum dia você for a Biarritz, a St Jean de Luz ou a Bayone, leve seu carro para passear em Ondres e o seu estômago para se deliciar no La Plancha. Mas faça reserva para sentar com vista para a praia e a brisa do mar.

Nota: esta foi a última parada de uma rápida viagem pela França e Espanha, onde decidimos ficar em pousadinhas perto de alguns lugares de interesse. As outras paradas foram contadas aqui e aqui.

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Bourg-sur-Gironde – a delícia de não ter (quase) nada para fazer.

Não sei exatamente o que esperava de Bourg ou mesmo porquê havíamos decidido ir até lá. Confesso que uma vez em San Sebastian considerei descartar esse pedaço da viagem e ficar mais uns dias na praia, mas a pousada não tinha vaga para os dias seguintes.

Então seguimos como o planejado, cruzamos a fronteira para a França e algumas horas mais tarde, estava com o carro estacionado entre vinículas chegando à conclusão que a dona da pousada estava falando sério quando escreveu no e-mail que falava apenas “a little english”. Pelo telefone, eu não entendia uma palavra do que ela me dizia e vice-versa. E apesar de estar a poucos metros da pousada, ainda levou um tempo e algumas voltas de carro para que encontrássemos o pequeno chateaux.

Bourg é uma das regiões vinículas de Bordeaux, muito menos badalada, famosa e conhecida do que Margaux, Medóc ou Saint Emillion. Além das vinículas onde se produzem os vinhos Côtes du Bourg, não há muito para ver e esse é o seu grande charme. Charme que nos seduziu e nos fez desistir dos nossos planos de visitar Bordeaux e jantar no tradicional La Tupine, onde tínhamos reserva para comemorar nosso aniversário de casamento. Depois de apenas 24 horas por ali, não queria nem pensar em cidade grande e já considerava a possibilidade de voltar para ficar umas férias inteiras, tomando um café todas as tardes na charmosa casa de chá na pracinha principal de Bourg-sur-Gironde e passeando de bicicleta entre as incontáveis vinículas.

Vinículas...

Vinículas...

...e mais vinículas.

...e mais vinículas.

Mas dessa vez tive que me contentar com as 48 horas que desfrutei sem pressa. Deu tempo de visitar o Chateaux Tayac, vinícula de 33 ha que produz um Cru Exeptionnel com o trabalho de 5 pessoas: mãe, pai, dois filhos e uma funcionária (eles contratam mão de obra extra somente durante a colheita). A mãe, Annick, uma senhora simpática que nos mostrou a propriedade, era um pouco afobada como normalmente são as pessoas com muito trabalho por fazer. Mas ainda assim respondeu a todas as nossas perguntas de quem não entende nada de vinho, com muita paciência e um sorriso no rosto.

Chateaux Tayac

O Chateaux Tayac

A cave

A cave

E claro... as vinículas.

E claro... a degustação.

Deu tempo de dirigir pelas margens do Gironde passando pelo barco da segunda Guerra Mundial naufragado nas suas águas.

Deu tempo de conhecer a citadela de Blayes, de atravessar a barca Blayes-Lamarque,  de passar por alguns chateaux mais famosos, como o La Tour, e de comer em um dos cafés na outra margem do rio, no charmoso porto de Paulliac.

O chateaux é tão grande que nem coube na foto.

O Chateaux Pichon Longueville é tão grande que nem coube na foto.

A torre que dá nome ao Chateaux Latour

A torre que dá nome ao Chateaux Latour

Elas... as uvas!

Elas... as uvas!

Deu tempo de passear a pé pelo centrinho de Bourg-sur-Gironde e ainda deu tempo de curtir a piscina da nossa linda mansão do século XVIII.

Mapa da região de Bourg, pintado na parede.

Mapa da região de Bourg, pintado na parede.

Bourg-sur-Gironde, vista do pequeno  porto

Bourg-sur-Gironde, vista do pequeno porto

Publicidade desbotada, uma prova de que o tempo não parou.

Publicidade desbotada, uma prova de que o tempo não parou.

Não sei exatamente o que esperava de Bourg ou mesmo porquê havíamos decidido ir até lá. Mas fiquei feliz de ter desistido de descartar esse pedacinho especial da viagem.

Onde ficamos:

Nosso castelinho.

Nosso castelinho.

Castell de Camillac é uma linda mansão com apenas três quartos decorados com antiguidades e muito bom gosto. Elizabeth e seu marido te recebem com muito carinho, apesar de não falarem praticamente nada de inglês. (E eu morri de vontade de falar francês para saber um pouco mais sobre a casa e os seus simpáticos donos). O café da manhã com croissants, baguete e geléias pode ser sevido no jardim ou na sala cheia de pompa. Um gato e uma adorável cadelinha que só pára de latir quando recebe carinho na barriga circulam livremente. Para terminar, tem piscina com vista para o rio e quadra de ténis. Posso dizer que a minha filha mostrou a princesinha que leva dentro dela e curtiu bem mais o quarto elegante do Chateaux do que o da nossa pousadinha rústica. As diárias custam €90, com café.

A casa

A casa

O café da manhã na sala comum

O café da manhã na sala comum

Nota: Os quartos são como quartos de uma casa e não têm chave para trancar, o que causa uma certa estranheza.

Onde comemos:

O Le Plaisance é um restaurante para turistas, mas um restaurante para turistas muito bem feito. No cardápio você encontra de quase tudo do checklist do que comer na França, desde omelete e croque monsier a magret de canard. É possível montar menus de entrada, prato principal e sobremesa de €20 a €40. O dono é supersimpático e adora fazer piadinhas como falar (seríssimo) que a casa não permite que se compartilhe a sobremesa quando você e o seu marido disputam a última colherada de um creme brulée. Depois ele dá a maior risada e segue para a próxima mesa. A dona (a mulher do dono) te ajuda com o maior prazer a escolher o Côte du Bourg que vai acompanhar a sua refeição (e você ainda pode comprar a garrafa para levar para casa, pelo preço de loja e não de restaurante).

Meio quilo de carne, acompanhado de meio quilo de batatas fritas sequinhas.

Meio quilo de carne acompanhado de meio quilo de batatas fritas.

Jantamos ali nas duas noites que passamos na cidade, que só tem mais um restautante de peixes, um café e uma lanchonete de kebabs.

O único café da cidade. E precisa de outro?

O único café da cidade. E precisa de outro?

Do outro lado do Gironde chegamos muito tarde para o almoço no Alberge des Vignerons (o almoço na França termina às 14h, hora em que começa na Espanha). Mas o restaurante parecia ótimo e foi muito bem recomendado pela nossa pousada/castelinho. Fica para a próxima.

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