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Para os pequenos viajantes

Viajar com crianças não é fácil. Mas também não precisa ser impossível. Acho que o primeiro passo para uma experiência agradável para todos é respeitar os pequenos como companheiros de aventuras e procurar atracões que os agradem, estimulem e façam com que gostem de cada viagem como você. Afinal, se eles têm que apreciar uma obra de arte num museu, se precisam se comportar enquanto você desbrava uma lojinha, nada mais justo que você tenha que passar umas horinhas dando tchauzinho para os pinguins ou brincando na piscina de bolas.

Aqui ficam algumas dicas para entreter os pequenos em algumas cidades da Europa.

Amsterdam:

Kinderkookkafe: um café inteiramente dedicado às crianças, onde elas mesmas terminam de preparar os pratos (podem abrir a massa da pizza e colocar os recheios ou decorar cupcakes, por exemplo). Não se engane, não é programa de adulto com coisas para distrair as crianças. As mesas são baixas, os brinquedos ficam espalhados pelo chão e a música é infantil. Na verdade, o clima é de casa caótica de pais de uns 5 filhos. Ou seja, as crianças realmente ficam à vontade. Fica numa entrada lateral (e mais distante do centro) do gostoso Vondelpark, um outro excelente destino para os pequenos, com muito espaço para eles correrem e brincarem.

Preparar uma pizza...

...é fácil...

...no Kinderkookkafe.

Tun Fun: Se a chuva em Amsterdam pode frustrar até os mais grandinhos, imagina os pequenos. Mas este parque subterrâneo pode salvar o dia. Com áreas dedicadas a crianças de 1 a 12 anos, a diversão é garantida em escorregas, piscinas de bolas, pistas de boliche e divertidos carrinhos que se parecem aos que, na minha época, chamávamos de carrinhos de roliman.

No Tun Fun...

...a chuva não estraga a brincadeira.

Nemo: Eu adoro o slogan desse museu – proibido não tocar. Um museu de ciências dedicado às crianças, que estimula a interação, dentro de um impressionante edifício, inspirado em um navio de carga. Perto do Natal, Papai Noel costuma aterrizar no terraço.

Lisboa

Oceanário: programão com P maiúsculo para crianças que curtem bichinhos. O aquário principal é hipnotizante e a área dos pinguins uma gracinha. Aos sábados de manhã, acontecem concertos para bebês de até 3 anos. Fica na moderna região conhecida como Expo, que além do Oceanário, tem o Pavilhão do Conhecimento, um museu de ciências que costuma agradar os pequenos um pouco maiores. Em dias de sol, toda a Expo pode fazer a festa das crianças, com muito espaço para correr e fontes divertidas.

Zoo de Lisboa – O zoo de Lisboa ainda não é tão legal quanto ele quer ser, mas é muito melhor do que muito zoológico por aí. Entre as atrações, a preferida é o show dos golfinhos. Entre as curiosidades, um cemitário de cães e outros animais de estimação.

– Praias – Se o seu filho gosta de mar e areia e estivermos no verão, os arredores de Lisboa oferecem algumas ótimas possibilidades. As mais próximas são as chamadas Praias da Linha, que você pode chegar no Comboio (trem) que liga Lisboa a Cascais. Muitos lisboetas torcem o nariz para estas praias, mas pelo menos um passeio pelo Paredão (como eles chamam o calçadão que começa em Estoril) vale a pena. De carro, você pode chegar a praias mais bonitas e interessantes. Para as crianças, não consigo pensar numa mais divertida do que Tróia. É preciso pegar uma balsa para chegar lá e, no caminho, muitas vezes, somos presenteados pela companhia dos golfinhos. Já deu até para ver o sorriso no rosto do seu filho, né?

Madrid

Retiro: O parque mais famoso da cidade é um destes passeios que agrada greguinhos e troianinhos. No El Estanque, é possível alugar um barco a remo para dar uma volta. Em todo o parque você vai encontrar parquinhos tradicionais (balanço, escorrega…), sem falar nos teatrinhos de marionete, nos patinhos e cisnes que povoam os muitos laguinhos do parque, no romântico Palácio de Cristal. Prefira os fins de semana, quando as crianças locais não perdem a oportunidade de ir brincar ao ar livre.

Baby Deli: “Bom para os seus filhos, bom para o mundo”. É assim que se vende essa delicatessen no coração de Salamanca, o bairro mais chique da cidade. E esta é a proposta: produtos ecologicamente corretos estão a venda, desde brinquedinhos de madeira a fraldas biodegradáveis e alimentos orgânicos. Alguns detalhes, como os carrinhos de compras do tamanho certo para as crianças, dão mais charme para o lugar.  Os adultos podem tomar um gostoso café, acompanhado de bolinhos deliciosos, enquanto as crianças brincam. Um pequeno terraço tem uma oca indígena. O espaço também oferece cursos e outras atividades para crianças. Detalhe: Carolina Herrera é uma das proprietárias.

Faunia – Lá vamos nós ver bichinhos de novo. Fazer o que? As crianças adoram! E este parque temático de animais oferece muitas oportunidades de integração. Não espere ver leões, elefantes ou girafas. Aqui seus filhos vão dar comida para as cabras na fazendinha, ver araras voando livres e macaquinhos pulando de galho em galho em meio a uma tempestade, numa floresta tropical, tirar foto beijando uma simpática foca, ver um pintinho saindo do ovo ou um bebê canguru colocando o rostinho para fora da bolsa da mamãe. Ah, para fãs do Rei Leão, aqui a criançada vai poder conhecer pessoalmente uma suricata (o Timão, companheiro inseparável do Pumba).

Dizer olá para o canguru...

...alimentar a cabra...

... e ver de perto a bicharada no Faunia.

Paris:

Le Jardim d’Acclimatation – Não faltam lindos parques em Paris para as crianças correrem e brincarem ou para um delicioso piquenique depois de umas comprinhas numa boulangerie. Mas este, em especial, dentro do Bois de Bologne, oferece muito mais que área verde e espaço: brinquedos, animais de verdade, trenzinho, shows de rua… não faltam opções para distrair a pequenada. Tudo mantendo o charme de 1860, quando foi construído.

Um passeio de canoa indígena.

Disney World Paris: Dispensa comentários, né? Essa filial do parque infantil mais famoso do mundo fica a menos de 1 hora de transporte público do centro de Paris e garante o sorriso no rosto da garotada pelo resto da viagem.

Essas são apenas algumas sugestões. Com um pouco de pesquisa, dá para descolar muitos lugares divertidos para nossos filhotes aproveitarem as férias e se transformarem em agradáveis companheiros de viagem. Se você parar para pensar, crianças são fáceis de agradar. Um sorvete, um novo brinquedo, um espaço para eles gastarem as energias podem mudar o humor dos pequenos e o clima de toda uma viagem.

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Amsterdam para meninas.

Prostitutas se oferecendo em vitrines, drogas sendo vendidas em cafés e hordas de turistas que chegam à cidade atraídos por estas duas coisas. À primeira vista, Amsterdam pode não parecer o destino ideal para mulheres. Mas saindo do lugar comum e se embrenhando um pouco mais pelos lindos canais, é possível descobrir uma cidade com muito de tudo que a gente mais gosta.

Os canais...

...e as suas pontes.

Entre casas e pontes refletidas nos canais,  atracões com um forte apelo feminino.

Para começar os museus. São mais de 50 na cidade. O maior e mais importante, o Rijksmuseum, está em obras de restauração. Ainda assim, é possível ver uma mostra da sua enorme coleção numa exposição chamada ‘The Masterpieces’. Entre alguns dos mais importantes quadros de Rembrandt, você vai encontrar uma linda coleção de Casas de Bonecas. No século XVII, toda senhora rica que fosse mesmo rica mandava construir uma, normalmente à imagem e semelhança da sua própria residência. Longe de ser uma brincadeira, estas casinhas eram um caro e ostensivo hobby e chegavam a custar o mesmo que uma casa de verdade. É divertido prestar atenção nos detalhes, nas cortinas, nas porcelanas e imaginar a vida destas nobres senhoras do passado.

No Keizersgracht, ou Canal dos Cavalheiros, fica um museu dedicado a um dos maiores fetiches de qualquer dama: as bolsas. O Tassenmuseum – ou Museum of Bags and Purses – oferece uma coleção com bolsas feitas desde o século XVI (eu juro que queria uma das mais antigas para mim, feita de couro de cabra, com 18 compartimentos e flores decorativas) até bolsas clássicas Channel e Louis Vitton, passando por formatos inusitados, como  a divertida carteira que imita uma revista dobrada. Até Fevereiro de 2010, está em cartaz a exposição ‘Made in Britain’, com alguns importantes exemplares de design inglês (Vivianne Westwood, por exemplo). De Março a Agosto, será a vez da exposição ‘Leather Loves Crystal’, mostrando o uso dos famosos cristais Swarovski. Não deixe de fazer uma pausa no café, lindamente decorado e com vista para o pátio interior. Sinceramente, não consigo pensar num museu mais mulherzinha.

Detalhe da fachada do Tassenmuseum.

E o detalhe das bolsas.

Dá para acreditar que esta é do séc. XVI?

Mas nem só de acessórios de moda e hobbies extravagantes vive o lado feminino de Amsterdam.  Na Casa de Anne Frank, você poderá conhecer a história desta menina judia que viveu ali escondida por mais de dois anos durante a Segunda Guerra Mundial. O seu drama ficou famoso no mundo inteiro depois que o seu pai publicou o diário que ela escreveu no esconderijo: o famoso Diário de Anne Frank. Infelizmente, Anne morreu no campo de concentração, dias antes deste ser libertado. Uma história triste de uma menina que não teve a oportunidade de chegar a ser mulher e uma visita que ensina e emociona pessoas de qualquer sexo.

Em pleno centro da cidade, outra visita imperdível é o tranquilo conjunto de casas chamado Begijnhof, residências de mulheres (Beguines) que dedicavam suas vidas à religião, principalmente ao cuidado de doentes, mas que não chegavam a ser freiras. Elas faziam voto de castidade e deviam obediência ao pároco local, mas não faziam voto de pobreza nem de clausura, e podiam deixar a irmandade no momento em que quisessem, caso decidissem, por exemplo, se casar. Até hoje as casas são residências de mulheres solteiras. “A maior parte dos bens da Igreja Católica Romana foram confiscados quando Amsterdam se tornou protestante. Mas as Beguines foram deixadas em paz”, conta uma placa informativa. E em paz por aqui se continua. Basta entrar no Begijnhof para ter o prazer de senti-la.

Os prédios, ao redor do pátio.

E a minha obesessão com as janelas da cidade.

Lojinhas, lojinhas e mais lojinhas.

Mas como nem só de museus e história vive uma viagem “mulherzinha”, Amsterdam oferece excelentes possibilidades de compras. Esqueça os shopping centers. Aqui o barato é andar pelas ruas, admirando vitrines e a linda arquitetura da cidade. Na Kalverstraat e na Leidsestraat, você vai encontrar as lojas mais conhecidas, mas o mais gostoso é descobrir as lojas de design, os brechós e as mais variadas lojas especializadas nas ruazinhas mais afastadas do centro.

É o caso das Nine Little Streets. Como o nome diz, são nove pequenas ruas de nomes complicados que cruzam os três principais canais, com lojinhas para os mais variados bolsos e gostos, além de cafés, delicatessens e restaurantes deliciosos. Um lugar para passar o dia e estourar o limite do cartão de crédito.

Uma das Nine Little Streets decorada para o Natal

Mas com um pouco mais de tempo, há muito mais para descobrir: Haarlemmerstraat, Utrechtsestraat,  Staalstraat, Leliegracht e com certeza muitas outras que não lembro o nome ou não tive a oportunidade de conhecer.

Vitrine colorida de uma lojinha no Jordaan.

Todo bom bate-perna tem boas pausas.  Em se tratando do sexo feminino, de preferência, doces pausas.

No De Bakkerswinkel (Warmoesstraat 69), uma padaria num ambiente que mistura casa da vovó com cozinha industrial, recomendo tudo o que já provei do cardápio, em especial o bolo de cenoura e os scones com geléia de limão. Outra opção é o pequeno Gartine (Taksteeg 7), com seu candelabro, sua porcelana chinesa e suas atitudes ecologicamente corretas, como usar apenas ovos das 58 galinhas adotadas no projeto Adopt a Chicken, em que você recebe os ovos das galinhas em troca de financiar uma vida feliz para as bichinhas, com direito a passear à vontade pelo galinheiro e comer apenas comida orgânica, livre de agrotóxicos. Na Puccini (Staalstraat 21 e Singel 184), nem tente resistir aos chocolates em lindas formas e sabores para comer com os olhos, o nariz e a boca.

O charmoso interior do Gartine.

Uni-duni-tê para escolher entre as tentações do Puccini

Safadeza com estilo.

Se a diabinha que vai no seu ombro estiver interessada em um pouco de sexo, drogas e rock’n’roll, a Nana Sex Shop (Warmoesstraat 62, esquina com a Oude Brugsteeg) tem brinquedinhos eróticos de design que parecem ter sido fabricados pela Apple. Para conhecer um Cofffee Shop, se quiser mais de tranquilidade, procure o La Tertulia (Prinsengracht 312), pequeno e aconchegante, administrado por duas senhoras: mãe e filha. Se preferir agito, sugiro o badalado De Dampring (Handboogstraat 29), que foi locação do filme com o maior número de galãs por metro quadrado de película de Hollywood: o Ocean’s Twelve. A fama faz com que fique cheio, mas só de imaginar Matt Damon, Brad Pitt e George Clooney ali, a progesterona de qualquer mulherzinha já começa a ferver.

Last, but not least.

–       Como perder tempo em fila não é coisa de mocinha descolada, saiba que vale a pena comprar ingressos pela internet para as visitas mais concorridas, como a Casa de Anne Frank, o Rijskmuseum e o Van Gogh Museum.

–       Em Amsterdam, São Pedro quase nunca colabora. Esteja preparada com uma bonita capa de chuva e galochas descoladas.

–       Se souber andar de bicicleta, adote o meio de transporte. Você chega muito mais rápido em qualquer lugar, descobre mais da cidade e se locomove como uma verdadeira local. Uma das locadoras mais famosas é a Mac Bike.

Bicicletas na ponte.

E para terminar: simpática e feminina decoração de um Houseboat (ou casa-barco).

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