Apertem os cintos…

Se a maternidade ou a paternidade estão longe dos seus planos e se você não quer nem ouvir falar em cáca de bebê, pule este post.

Agora se você tem ou quer ter filhos e possui algum interesse nas dificuldades de viajar de avião com um bebê, continue.

Cena 1: Lá vou eu, feliz da vida, viajar de avião sozinha com a minha pequena. Começa bem só de não ter que ficar na fila para o raio-X (que está enorme). Mas eis que tenho que passar o carrinho pelo raio-X das malas. Então pego a bebê no colo (por estranho que pareça, a dona polícia não se comove com o fato dela estar dormindo) e com a outra mão tento fechar o carrinho. Impossível. Percebendo a minha enrolação, um sujeito de terno e gravata se oferece para ajudar. É claro que ele queria ajudar a fechar o carrinho, mas desculpa. Qualquer mãe sabe que fechar carrinho de bebê exige um preparo técnico que não se aprende em MBA. Então antes que ele pensasse duas vezes, taco minha filhota no colo dele, fecho o carrinho, coloco na esteira, passo pelo raio-X, abro o carrinho, volto, pego a filhota, agradeço, boto no carrinho e pronto, certo?

Não.

Eu estou de botas. Volto outra vez, tiro as botas, canto “O Sapo Não Lava o Pé” de longe para ver se ela pára de chorar, passo pelo raio-X, calço as botas e – ufa! – primeira etapa cumprida.

Cena 2: Sento na cadeira do avião, aceito os olhares desconfiados dos passageiros ao redor temendo a quantidade de decibéis que um choro de bebê pode alcançar, instalo o cinto de segurança para o bebê acoplado ao meu cinto de segurança, relaxo e assim que o avião começa a se mexer, ouço aquele pum estrondoso que indica cocô dos grandes, seguido por uma sensação húmida de cáca de bebê escapando da fralda. Espero o avião decolar e os indicadores do cinto se apagarem e me dirijo ao banheiro.

Abro o trocador e me movo com dificuldades no espaço que sobra. Apóio a mochila na pia e, sem perceber, molho a mochila inteira na torneira, que justo daquela aeronave, é do tipo automática que abre com sensor de movimento. Tiro a roupa da bebê com cuidado para não sujá-la ainda mais e sinto o avião balançando. Acende a luzinha de volte correndo para o seu acento. Pondero a possibilidade de voltar com a pequena pelada e toda cagada em prol da nossa segurança. Decido que é melhor não. Rezo enquanto troco a fralda batendo todos os recordes de velocidade. Segunda etapa cumprida.

Cena 3: O avião começa a descer. Minha filhota, que não é de chorar sem motivo, começa a berrar. Deve ser ouvido, já tinha lido sobre isso. Preciso dar de mamar, mas meu peito já está vazio da decolagem. Descubro que não consigo preparar a mamadeira sozinha ao mesmo tempo que seguro um bebê se esbravejando no meu colo. Não na classe econômica, pelo menos.

Me ajoelho no chão, colocando ela sentada na cadeira. Canto a versão remix de “O Sapo Não Lava o Pé” enquanto tento tirar da bolsa a mamadeira com a água e o potinho com o pó de leite. Olho a minha volta e descubro dois tipos de pessoas: as que sentem pena de mim por ter uma filha como ela e as que sentem pena dela por ter uma mãe como eu. Eventualmente o avião pousa. Terceira etapa cumprida.

Cena 4: Vou para a esteira buscar as malas e o carrinho (que é despachado para o porão desde a porta da aeronave). Espero. Espero. Chegam todas as malas, de todo mundo, menos o meu carrinho. Esbravejo em como as viagens aéreas são o único serviço que o cliente paga caro para ser mal-tratado. Faço a reclamação oficial e vou para casa. Eles têm 21 dias para encontrar uma bagagem antes dela ser considerada “de fato” perdida.

Espero cinco dias para ver se tenho notícias do carrinho.  Já sem força nos braços, desisto e compro um novo. No dia seguinte, recebo uma ligação da companhia dizendo que finalmente o carrinho havia sido encontrado.

Eu juro, todos os acontecimentos são reais.

Para a minha sanidade mental, pelo menos não aconteceram no mesmo vôo.

10 comentários

Filed under Viajar com filhos

10 responses to “Apertem os cintos…

  1. Laura

    Aline,

    para variar adorei seu texto! E fiquei feliz de ter encontrado mais um lugar pra me deliciar com os seus posts!

    bjs!

    • asvoltasqueeudoupelomundo

      Obrigada, Lau. Vamos ver se consigo manter esse blog atualizado, já que nos outros estou devendo.
      Beijos.

  2. Querida,
    você deixou um recadinho no meu blog, e eu resolvi vir aqui conferir.
    Nunca ri tanto lendo um post. Fiquei me imaginando com o bebê em um vôo, e não sei se vou encarar uma destas não! Digo: o vôo né, porque o bebê deve ser uma delícia, agora os 2 juntos, definitivamente, não dão certo…rs
    Adorei! Estou colocando na minha lista de blogs
    PS: Já vi que vou usar muito o seu blog para o meu cronograma de viagens :o)

    • asvoltasqueeudoupelomundo

      Imagina, Carol. Você que ama viajar vai querer compartilhar essa paixão com a sua filha (ou filho) desde cedo. Espero que você volte sempre.
      ; )

  3. Elsa

    Oi Aline,

    Adorei o seu post, apesar do q vc deve ter passado, hoje vc deve rir muito dessas situações.
    Em Abril vou viajar para Portugal com a minha filha (que terá 9 meses nesse momento), e estou pesquisando ao máximo para estar preparada no momento de estresse.

    Muito legal o seu blog.

    Um beijo!

    • asvoltasqueeudoupelomundo

      Elsa,

      Temos que levar com bom humor. Viajar com bebês não é fácil, mas é uma delícia! Aproveite a viagem e se quiser alguma dica de Portugal ou sobre viajar com nossos filhotes me fala que eu tentarei ajudar.

      Beijos.

  4. patipapp

    Hahahahahhahahha

    EStas situações são uuuuito divertidas ne? Eu amo viajar e agora que tenho filhos continuo amando e vijando com eles mundo afora. Acabei de voltar de uma mega viagem co a familia para a Tailandia (com direito a parada em Dubai) e foi maravilhoso. Acabo escrevendo muito sobre as viagens com os pequenos no blog. Adorei tuas dicas e tuas historias, tambem fui pro japão e fiquei em Ryokans e foi outra experiencia fantastica (desta vez sem filhos).

    Vou te adicionar nos meus links porque em duvida temos muito em comum!!

    bjs

    Patricia

    http://coisasdemae.wordpress.com

  5. Fernanda

    Oi Aline, vi seu post no blog do Ricardo Freire e vim aqui conferir. Vou para São Francisco, CA de mudança com meus dois filhos de 5 e 2 anos. Minha mãe vai comigo para ajudar, pois tenho certeza que não consigo fazer isso sozinha já que o pai já vai estar lá esperando por nós. Já estou fazendo uma lista de coisas pra levar pros pequenos, pois são 2 horas até SP, 10 até qualquer lugar dos EUA e mais 5 pra SF… dá um total de 22 horas no mínimo… mas mesmo indo com minha mãe eu estou morrendo de medo!!!! rsrsr
    Vou continuar lendo o seu blog. Bjs, Fernanda.

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